Agricultura familiar: Alimento que traz cidadania! – (Diário da Manhã – 02/08/2015)

Diferentemente de outros grandes produtores de alimentos no mundo, além de ser privilegiado pelo clima e por seus recursos naturais, o Brasil ainda utiliza menos da metade de sua área agricultável. O que quer dizer que nosso país, literalmente, tem campo para avançar, sem necessitar da ocupação de reflorestamentos, tampouco de desmatar áreas de preservação ambiental.
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Baseado em fatores como esses, um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apresentado dia 15 de julho de 2015, apontou o Brasil como principal exportador de alimentos do mundo na próxima década.

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Colaborou com essa conclusão a perspectiva limitada de crescimento na produção de alimentos de outras regiões do planeta, o que torna nossa responsabilidade maior. Continentes como a África, por exemplo, que poderiam protagonizar a produção de alimentos, devido a sua extensão, possui imensas áreas desérticas e semiáridas, além de uma altíssima necessidade financeira de investimentos. Em outras áreas, como a Rússia e países do Leste Europeu, que também poderiam ser utilizadas para a expansão da fronteira agrícola, as limitações são semelhantes. No Canadá, apesar da quantidade de terras e da boa infraestrutura de suporte à produção, o clima é um entrave. EUA e Austrália, idem! O primeiro está cada vez mais exposto a todos os perigosos riscos do clima, o segundo, convive com grandes períodos de estiagem.

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Ainda sobre o documento divulgado, um trecho revelou que nesse processo de maior produção do Brasil, de forma especial, a agricultura familiar cumprirá um papel fundamental. Não é para menos! O agricultor familiar é pequeno na sua extensão de terra, mas já é intenso do ponto de vista da produtividade. No mercado interno brasileiro, a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos no país, e toda sua cadeia produtiva contribui com aproximadamente 10% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Contribuição que seria ainda maior se a burocracia para acessar crédito no nosso país não fosse tão grande – isso vale tanto para os pequenos produtores quanto para os grandes, que, igualmente, merecem o máximo de incentivos por parte dos nossos bancos. Afinal, todo o setor agrícola só faz impulsionar o nosso crescimento.
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Delimitando a discussão nos pequenos e médios agricultores e agricultoras é certo, pelo alto potencial, que na atual conjuntura nacional, valorizá-los é uma das melhores estratégias para retomada do nosso crescimento. Haja vista, que são empreendimentos capazes, em um curto espaço de tempo, de alcançar rápidos e bons resultados. Nesse sentido, apesar de ainda insuficiente, importantes instrumentos de apoio estão à disposição, desde o acesso a terra e a assistência técnica, desde o apoio à comercialização até o Seguro da Agricultura Familiar (Seaf).
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Mas é preciso ir além, e iremos com mais acesso à tecnologia e irrigação!
Quanto à tecnologia, para ter acesso a ela, o agricultor familiar quer e precisa de custos mais acessíveis, seja em maquinários maiores, seja em maquinários menores. Um exemplo, dentre outros, da importância da tecnologia no campo é o Motocultivador, que entra no lugar da velha enxada para arar o solo, ele exige menos esforço físico na operação do plantio, e garante aumento da produtividade, por consequência, mais lucro e mais capacidade financeira de investimentos.

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Já a irrigação talvez seja uma das nossas melhores estratégias de crescimento e produção. No Brasil, segundo dados do Ministério da Integração Nacional, existem aproximadamente 30 milhões de hectares de solos aptos para extensão e desenvolvimento da agricultura irrigada. No Centro-Oeste, onde estamos, são 4,9 milhões de hectares disponíveis. Entretanto, atualmente, apenas cerca de 5,5 milhões de hectares são irrigados no território nacional, em Goiás, são cerca de 270 mil. A produtividade da agricultura irrigada brasileira chega a ser três vezes maior que a obtida com a agricultura tradicional, dependendo da cultura, economicamente, o ganho pode ser até sete vezes mais. De modo que os governos precisam estar atentos!

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Especificamente em Goiás, é preciso investir mais no aperfeiçoamento e na ampliação da área irrigada, estimular a criação de polos de desenvolvimento, elaborar Planos Diretores de Irrigação, com indicadores, metas e prioridades para a agricultura irrigada, consequentemente reduzindo as perdas e os riscos climáticos. Também se faz necessário aperfeiçoar o desenvolvimento tecnológico voltado para agricultura irrigada, bem como sua difusão.

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Se o Brasil será o maior produtor de grãos do mundo com a ajuda da agricultura familiar na próxima década, Goiás, um dos estados com maior vocação rural do nosso país, tem tudo para, investindo também na nossa agricultura familiar, ser vanguarda nesse processo!

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Antônio Gomide foi, por duas vezes, eleito prefeito de Anápolis

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