Dez anos de PROUNI (O Popular)

Cristóvão Colombo descobriu a América em 1492. Em 1507, 15 anos depois, Santo Domingo na República Dominicana construiu sua primeira universidade. O Brasil que foi descoberto em 1500, só pôde contar com uma em 1930, 430 anos depois. Mesmo países como Peru e Bolívia largaram séculos na nossa frente, em 1550 e em 1624, respectivamente, nossos vizinhos já possuíam suas universidades. Até países africanos de língua inglesa e francesa, partiram rumo ao aperfeiçoamento do conhecimento, antes de nós.

 

Desde o nosso surgimento, passamos pelo período pré-colonial (1500 – 1530), período colonial, pelo Brasil Imperial, até ser iniciada com a proclamação da República em 1889, cinco fases: República Velha, Era Vargas, República Populista, Ditadura Militar e Nova República, a que estamos, com 30 anos e alguns dias.

Nestes 125 anos como República, pelo fato desse nascimento ter ocorrido da aceitação das elites e ter-se realizado através da espada do exército nacional, um caráter autoritário e excludente acabou sendo estabelecido no Estado brasileiro, que negou por muito tempo direito às classes inferiores, promovendo por outro lado, privilégios as classes dominantes.

 

Não é exagero dizer que somente em 2002, o Brasil experimentou pela primeira vez um governante que não fosse herdeiro das elites que sempre o governou. Tomando como exemplo e traçando um breve comparativo entre os dois governos comandados por Fernando Henrique Cardoso e os dois governos comandados por Lula, é possível perceber as diferenças na área da educação. Foi na última década, que conseguimos dar passos mais largos para que fossem incluídos os excluídos por séculos.

 

Paradoxalmente, os números comprovam que foi um metalúrgico sem diploma, quem mais possibilitou a oportunidade de estudo aos brasileiros. Enquanto que nos governos de FHC, nenhuma universidade federal foi construída, nos governos de Lula, 18 foram criadas. Enquanto o primeiro não levantou uma única escola técnica em oito anos de governo, Lula construiu 214, hoje, com Dilma já são 422.

 

Limitando a abordagem as universidades federais que, além de oferecerem os melhores cursos de graduação em todas as áreas, e por consequência serem também as principais responsáveis pelo desenvolvimento de atividades relacionadas à ciência e tecnologia, geração de pesquisa, bem como pela promoção de ações indispensáveis durante o enfrentamento diário dos desafios no país, destaca-se, durante os últimos 12 anos, o maior projeto de expansão das universidades federais da história brasileira, o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que possibilitou a chegada de muitas delas nas capitais e no interior dos estados. Hoje, o número de estudantes matriculados passou de 500 mil para mais de um milhão. A palavra que define isso é inclusão, indo além, através das cotas, do Enem, do Prouni…

 

As cotas, essencialmente, têm “data” para acabar. São compensatórias, por tanto, tiveram início e depois de passar pelo meio, terão fim. Até que se chegue lá, às gerações que foram excluídas da educação básica de qualidade no período da escola vão sendo resgatadas. Ponto importante para alcançarmos o quanto antes essa saída, são os investimentos na educação básica que, em médio prazo, possibilitará que as cotas não sejam mais necessárias. Nesse sentido, um importante caminho foi criado: o Plano Nacional de Educação (PNE), que virá para, dentre outras metas, ajudar dois pilares da educação básica, os municípios – que se esforçam tanto – e os professores – idem. Outra política que deu certo e veio para atenuar as desigualdades de condições entre os candidatos é o Enem, que permite através da realização de uma prova única que todos tenham acesso as diversas universidades do país.

 

Mas de forma especial, a política educacional que na última semana completou 10 anos, o Prouni, é a que melhor representa a transformação histórica que estamos vivendo na área. Há dez anos, o Prouni permite que os filhos das gerações que nunca tiveram oportunidade em nosso país, tenham. O braço do estado agiu e esta agindo como nunca, através do programa, para mais de 1,4 milhões de estudantes, sendo 75 mil goianos que passaram a possuir mais autoestima e melhores possibilidades salariais, 70% em média, segundo pesquisa realizada pela Agência Brasil.

 

Todos que sonham com uma Nação mais justa devem comemorar os 10 anos da lei que instituiu o Prouni. Políticas e ações como essa comprovam que depois de 500 anos, a educação passou a ser lema do Brasil e que o Brasil, cada vez mais, está se tornando uma pátria educadora.

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