Diário de Aparecida: “Eu quero poder ajudar nossos municípios, poder ajudar nossos prefeitos”

gomide-aparecida-de-goiania-anapolisAntônio Gomide disputou as eleições para o governo de Goiás em 2014, quando venceu o principal partido oponente, o PSDB, na cidade. Não ganhou nas urnas, mas amealhou importante capital político na “Manchester goiana”, como é carinhosamente conhecida a cidade de Anápolis. Agora, ele diz que o projeto para 2016 é fazer o maior número de eleitos, tanto na majoritária como na proporcional. Por isso, ele visitou Aparecida de Goiânia esta semana para respaldar e começar articulações em torno do nome de Adriano Montovani, atual secretário de Trabalho, para pré-candidatura a prefeito pelo PT. O petista ainda falou do pleito de 2018, quando pode ser um dos nomes ao governo estadual. Para isso, ele quer abraçar as três mais importantes cidades do Estado: Goiânia, Aparecida e Anápolis.

 

Confira nesta entrevista as opiniões do político, que acredita que a aliança com o PMDB pode ter novos e vigorosos frutos, a partir de 2016, caso os dois partidos vençam a disputa para comandar Aparecida por outros quatro anos. (Moacir C. Neto)

 

O senhor acompanha as movimentações políticas em Aparecida?

Antônio Gomide – Tenho participado de reuniões. Entendemos que é preciso ampliar as filiações e principalmente a estratégia de buscar os partidos para podermos coligar, com base naquilo que temos na base da presidenta Dilma. Aquilo que nós temos que está dando certo, queremos repetir nos municípios. Em Goiás, nós temos feito um esforço, sobretudo nas cidades maiores, Anápolis, Aparecida e Goiânia. É o que estamos fazendo neste momento.

 

Quais partidos o PT anda namorando atualmente?

Temos, primeiro, em Aparecida, uma coligação que deu certo e tem dado resultados bons para a cidade. Aparecida vive um momento muito diferente da grande maioria dos municípios do Brasil. É um grande canteiro aberto de obras, com uma administração do PT com o PMDB, com coligação com mais de dez partidos que se manteve em duas gestões. Nesse momento caminha para uma eleição em 2016. Aparecida é um exemplo daquilo [que pode ser feito], mesmo não sendo cabeça de chapa, como não somos ainda, mas com resultados para a cidade. Então, nós temos hoje Anápolis, Goiânia e Aparecida, onde PT e PMDB, nessas três cidades, têm caminhado juntos. Mesmo sendo adversários ao governo do Estado, nessas cidades, [os partidos] têm reeleito prefeitos. É uma estratégia pela qual precisamos continuar lutando, porque o reconhecimento não é dos partidos, é da cidade. Pelo trabalho que vem sendo desenvolvido. Entendo que, neste momento, também caminha para manter essa coligação.

 

O apoio do prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, é disputado?

Entendo que o trabalho que ele fez, um dos trunfos que ele tem, é exatamente saber articular, dialogar e poder valorizar. O Partido dos Trabalhadores hoje, com os resultados com a reeleição dele e também a perspectiva em 2016, acredito que temos possibilidade de ter candidato próprio, com lideranças. Dentro da própria administração, nós temos três secretarias [Educação, Trabalho e Comunicação]. Algo que nós ajudamos na atual administração. Não somos apenas uma legenda. Hoje nós temos nome para poder mostrar [à população] e condição de, juntos à administração, ter um projeto para sair na frente. Sair numa chapa para somar, ganhar e continuar um projeto que está dando certo.

 

Presidente do PMDB local, Ezízio Barbosa acredita em possível chapa composta com o pré-candidato Adriano Montovani. O que tem sido feito pelo PT para ter uma cabeça de chapa?

O projeto nosso é para Aparecida. Hoje, pesquisas qualitativas mostram que o que se tem hoje nesta gestão, com PT e PMDB, satisfaz Aparecida. Então, nós queremos manter. Quem vai ser cabeça de chapa, nós vamos, nessa discussão, definir lá na frente. Queremos estar juntos com o PMDB, para garantir e dar continuidade ao projeto. Somos um partido ativo, estamos filiando gente. Temos boa chapa de [pré-candidatos a] vereadores. Lá na frente é que vai definir quem vai ser candidato a prefeito e a vice. Estamos no projeto do prefeito Maguito. Então, é uma busca.

 

O desgaste na aliança entre PT e PMDB, nacionalmente e na Capital, pode impactar negativamente em Aparecida?

A decisão do PMDB é uma decisão do partido. O PMDB vive um momento de renovação, de reforçar lideranças. Política se faz dialogando. O PMDB vai saber o que é melhor para ele dialogando. Nós, do PT, estamos no mesmo processo, discutindo, filiando, buscando a juventude, buscando as pessoas para fazer uma boa chapa de vereadores. Onde puder fazer a majoritária, [vamos] fazer. É uma busca de cada partido. Entendo que o PMDB está tomando a decisão que acha que é mais correta.

 

E o desgaste do PT nacionalmente pode ter impactos aqui em Aparecida?

Disputamos uma eleição extremamente polarizada na última eleição presidencial. E ganhamos. Mesmo com uma série de fatores desfavoráveis. Reconhecemos o trabalho do PMDB e PT em nível nacional. Infraestrutura, saúde, educação, aumento da renda do trabalhador. Isso é fundamental para que a população acredite nesse projeto. Não ganhamos a eleição por decreto. Ganhamos uma eleição por voto. E, obviamente, nós temos um adversário que, mesmo derrotado, até agora não reconheceu a sua derrota. Está disputando o projeto, ainda, dentro do governo. E dentro do Congresso. Em 2016, esse projeto é municipal. É o caso de Goiânia, Anápolis e Aparecida, onde queremos manter a aliança [com o PMDB].

 

O sr. quer falar um pouco sobre a eleição de 2014?

Foi muito importante. Fizemos debate naquilo que acreditávamos, conseguimos levar a eleição para o segundo turno. O debate e a capacidade de envolvimento no Estado foram importantes para o PT, foram importantes para dar condições para o debate político. Caminhamos em todas as cidades, fazendo com que a população acreditasse no projeto.

 

E em relação às suas contas no Tribunal de Contas dos Municípios?

Minhas contas foram aprovadas nos anos de 2009 e 2010. As de 2011 e 2012, estão em apreciação pelo tribunal. Não temos dificuldade, nenhum empecilho dentro do TCM.

 

E o projeto para 2018?

Eu quero poder ajudar nossos municípios, poder ajudar nossos prefeitos. Poder andar e somar, onde puder, e contribuir. Sei que a disputa municipal é muito particular. Tem de estar muito perto dos bairros, das pessoas. Eu percebo que temos avançado nos municípios, sobretudo a administração do PT aqui dentro [em Aparecida]. Pegamos a cidade com oito creches, estamos entregando [a administração com] 40 creches. Isso é poder enxergar maior que o partido. Temos trabalhado na área de treinamento, formação de profissionais [pela Secretaria do Trabalho], na Educação, na área de Comunicação. Esse trabalho faz a diferença. Quero contribuir. Poder, com a liderança que podemos e temos, voltar [a administrar] em algum município. Fazer articulação política, preparar nossos candidatos, preparar o discurso e o projeto de governo.

 

O sr. fez um bom governo em Anápolis? Isso ajuda em 2018, numa possível aliança com o PMDB?

Sabemos que disputar eleição para governo sozinho é muito difícil. Precisamos de um projeto. Projeto para trazer credibilidade. Temos a certeza de que a administração que fizemos em Anápolis mudou o estilo da cidade, [trazendo] melhoria para a população. Queremos trazer essa experiência para Goiás. Fazer em 2016 um maior número de eleitos, para chegarmos fortes em 2018. Queremos poder disputar e mostrar uma política realmente diferenciada. Temos, além do PMDB, outros partidos.

 

A administração do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, recebeu muitas críticas. Isso pode, de alguma forma, afetar negativamente 2018?

Não acredito. Existe uma recuperação da própria gestão do prefeito Paulo Garcia. Isso vai ajudá-lo, inclusive, nessa definição de nomes, da deputada Adriana Accorsi, Edward Madureira. O partido tem densidade para disputar uma eleição majoritária. Temos nomes para compor com outros partidos.

 

Que avaliação o sr. faz do atual cenário nacional?

Temos, hoje, uma crise econômica, e não é só no Brasil. É mundial. Discutir a crise, do ponto de vista político, agrava muito mais. Eduardo Cunha [presidente da Câmara dos Deputados] faz oposição sistemática ao PT desde o início. É importante que a gente resgate a história. A presidenta Dilma é honesta e não cometeu nenhum crime. Já tentaram condená-la e, agora, buscam o motivo. Primeiro, na contagem dos votos, após a eleição. Depois, as contas [de campanha]. Agora, as pedaladas fiscais. Estão tentando fazer de trás para a frente. Precisamos reforçar cada vez mais a democracia.

 

Como recuperar a confiança dos jovens?

Se tivermos bom senso no Congresso, que não representa a vontade das ruas. Precisamos melhorar as leis e a participação da sociedade, constitucionalmente, para que ela possa interferir nessas decisões. Fazer a reforma política. Ainda temos um Congresso cada vez mais conservador. Precisamos de reforma política e tributária. Na eleição para vereador, buscar os jovens.

 

Fonte: Diário de Aparecida

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