#DicadeLeitura: Apologia de Sócrates” de Platão

socrates-plataoApologia de Sócrates é a versão de Platão de um discurso dado por Sócrates em cerca de 399 a.C..[2] A obra é considerada o segundo livro da tetralogia formada pelos seguintes diálogos: Eutífron, em que vê-se o filósofo, ainda livre, indo para o tribunal a fim de conhecer as acusações que lhe foram movidas pelo jovem Meleto; a Apologia, com a descrição do processo; o Críton, com a visita de seu amigo mais querido ao cárcere; o Fédon, com os últimos instantes de vida e o discurso sobre a imortalidade da alma. No livro, é narrado o julgamento de Sócrates, onde ele faz a própria defesa dizendo aos juízes do Tribunal. Leia trecho desta:

 

“Eu queria tão pouco: Eu somente queria “tornar mais forte a razão mais débil”. Ora, as ideias e programas ou plataformas de instituições, partidos e segmentos sociais são tão frágeis e destituídas de fundamentos, mas que poderiam colaborar no desenvolvimento das consciências. De nada adianta apenas apresentar ideias sem dizer como viabilizá-las. Observem o ensino de péssima qualidade e a juventude excluída e parte jogada às margens da cidade, gemendo pelos quatro cantos ou clamando por inclusão. O adolescente de hoje, com certeza, deseja ser cidadão real. As autoridades devem “tornar mais forte a razão mais débil”, ou seja, não ficar no artificialismo, mas, ao contrário, verticalizar, tanto o conhecimento quanto os programas de governo. O filósofo Aristóteles no livro V da sua Política, Capítulo I, fala da educação dos jovens e destaca: “Ninguém contestará, pois, que a educação dos jovens deve ser um dos principais objetos de cuidado por parte do legislador; porque todos os Estados que a desprezaram se prejudicaram grandemente por isso. Com efeito, o sistema político deve ser adaptado a todos e os costumes e mantê-los sobre uma base sólida. Assim, os costumes democráticos ou aristocráticos são os mais seguros fundamentos da democracia ou da aristocracia; e os costumes mais puros dão sempre o melhor governo.”

 

Os governos deveriam se preocupar muito em estimular o desenvolvimento dos talentos latentes na juventude. Ações políticas virtuosas para a educação devem ser as metas primeiras de qualquer governante sério. O cidadão deve ser educado a compreender que não pertence a si próprio e sim que todos os cidadãos pertencem à comunidade onde vive, pois é membro da cidade, vive aqui e desfruta da vida em sociedade. O que devem ensinar? Os preceitos da virtude, das artes e da moral? O certo é que se devem ensinar as artes úteis à vida e os preceitos de virtude. Cada item da vida em sociedade deve ser ensinado em profundidade. Como sair da debilidade e tornar cada vez mais forte a razão do entendimento da vida? Todos devem levar os seres humanos a refletir: “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”. Estas reflexões levam o homem a se tornar mais sensível em relação ao próximo, mais humano e menos brutal nas relações sociais. Quando o ensino se tornar mais forte e menos débil, os seres humanos desenvolverão, certamente, as suas consciências. Ao ver um amigo, o homem educado então dirá: “Amigo é uma só alma vivendo em dois corpos”.

 

Fonte: Internet

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