Emater forte! (Diário da Manhã – 01/10/2015)

DM logoA agricultura em Goiás é destaque nacional, sobretudo, devido ao esforço de milhares de homens e mulheres que, mesmo diante de uma elevada concentração de terra, bem como de um alto índice de pobreza entre os trabalhadores do campo, conseguem num ambiente de vocação agrícola natural que nosso Estado possui superar barreiras e as adversidades.
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Assim como o segmento rural patronal, que de forma individual, ou em associação, organizou-se e conseguiu criar um assessoramento técnico próprio e eficiente, os segmentos de agricultores médios e familiares, por um caminho diferente, também podem e devem contar com todos os serviços de assistência técnica e extensão rural. Esse caminho tem história e resultados em Goiás, chama-se Emater!
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É bem verdade que em nível federal, a partir de 2003, o orçamento para as ações de assistência técnica e rural saltou de três milhões em 2002, para mais de 300 milhões de reais. Número que multiplicou e continuou crescendo a cada ano. O que contribuiu de forma determinante para conseguirmos atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, em relação à pobreza e a fome. Ocorre que essa mudança de visão, especialmente, quanto à importância que os pequenos e médios agricultores têm no processo de construção de um país melhor, não se estendeu como deveria na maior parte dos estados do país. E em Goiás, por conseguinte, a Emater foi vítima disso.
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Em um Estado como o nosso, onde valorizar o agronegócio e a agricultura familiar é uma questão essencial, o fim da Secretaria de Agricultura estadual, e consequentemente o enfraquecimento da Emater, órgão que em bom funcionamento cumpri o papel fundamental de gerar e transferir tecnologias para os produtores rurais, fez diminuir ainda mais os investimentos na prestação de serviços gratuitos de assistência técnica e extensão rural. Prejudicando os mais de 115 mil estabelecimentos rurais goianos.
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Fatos como esse cooperam para o seguinte dado, pouco mais de 10% dos produtores rurais brasileiros obtém quase 90% de todo o valor gerado com a produção agropecuária no Brasil. Por quê? Justamente pela dificuldade que a parcela com menor poder financeiro tem de acessar novas tecnologias, bem como de receber orientação durante seus processos de produção.
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Ter a Emater forte é uma necessidade! É preciso que ela tenha capilaridade no interior, com escritórios regionais organizados e laboratórios e estações de pesquisas modernas, para que seja levado aos nossos agricultores, maior conhecimento a novas tecnologias, mais produtividade e, consequentemente, mais justiça social para todos!
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Antônio Gomide foi candidato ao governo de Goiás e por duas vezes eleito prefeito de Anápolis.

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