Goiás precisa descobrir a Norte-Sul (O Popular – 18/02/2016)

antonio-gomideForam 27 anos de espera até a conclusão de uma obra prometida por muitos governos, mas concluída após o investimento maciço dos governos Lula e Dilma. Depois de grande expectativa, a Ferrovia Norte-Sul colocou seus vagões nos trilhos e abriu novo capítulo para o desenvolvimento econômico nacional.

 

Neste cenário, Goiás ganha um espaço privilegiado tanto no contexto regional quanto no aspecto nacional deste processo de integração. Foi do Porto Seco Centro-Oeste que há 10 meses partiu a primeira carga comercializada com farelo de soja. O trem, que puxou 80 vagões, levou quatro dias para chegar ao Porto de Itaqui, no Maranhão.

 

Para se ter uma ideia da importância desta ferrovia, por via rodoviária, seriam necessários 240 caminhões. Dados oficiais ainda apontam que a modalidade ferroviária pode representar até 30% de redução no custo com o frete. O método ferroviário é uma realidade nacional que Goiás começa a ter a chance de descobrir agora. Desta forma, o que governos e a iniciativa privada precisam se preparar para a migração de suas produções para o modal ferroviário. Jaraguá, Porangatu e Uruaçu têm obras em andamento de intermodais a fim de criar sistemas apropriados para escoar a produção do sistema rodoviário para o ferroviário.

 

Dados da Segplan apontam que após o início destas obras houve salto no volume de renda do trabalho e no ISSQN nestas localidades. Em cidades com pátios de integração, que é o caso de Anápolis e de Uruaçu, os índices econômicos tiveram saltos ainda mais significativos após a retomada das obras, em 2009.

 

Vencido o desafio de conseguir colocar em operação nosso trecho goiano, que vai até Palmas, é imprescindível uma força-tarefa que reúna todos os agentes interessados, prefeitos, federações classistas, com destaque ao segmento agrícola e, obviamente, integrantes dos governos estadual e federal. Tudo com o objetivo de promover ações que normalizem o uso logístico da ferrovia.

 

Uma destas iniciativas é a criação de ramais menores e ramificações que cheguem às áreas de produção dos municípios goianos com maior capacidade agrícola. A Região Sudoeste, que representa a vidas econômica do Estado de Goiás, precisa – fundamentalmente – ter prioridade para que sua recordista produção, em especial de grãos, tenha caminho lógico, econômico e inteligente, para o escoamento de sua produção.

 

A recorrente e justificada reclamação dos grandes agroempresários da região de Itumbiara, Santa Helena e Rio Verde quanto às estradas ruins, os atoleiros, e as demais dificuldades que geram desperdício podem encontrar solução com a confecção de ramais periféricos com a Ferrovia Norte-Sul. A via de escoamento tem de ser necessariamente ferroviária.

 

Um dos moldes que podem ser aplicados na criação destas parcerias é o próprio sistema open access, já realizado no trecho Anápolis-Palmas. Neste formato, pioneiro no trecho anapolino, houve a quebra do monopólio das atuais concessionárias, ao permitir que todas as empresas que cumpram requisitos tenham acesso à infraestrutura ferroviária.

 

É importante que gestores apostem na criatividade aliada com o que já temos de ferramentas para o desenvolvimento econômico, a fim de obter mais e melhores resultados junto aos produtores e impulsionadores da economia de Goiás. É fundamental que rompamos a agenda negativa, pautada por notícias ruins, potencializadas pelo seu uso político, e passemos a aliar trabalho, vontade política e projetos inovadores para criar alternativas que incrementem os instrumentos do desenvolvimento já existentes. E, certamente, a Ferrovia Norte-Sul tem o poder de capitanear este avanço.

 

Antônio Gomide foi por duas vezes prefeito de Anápolis.

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