Lições do Vírus

O momento é de união de esforços na tentativa de impedir o alastramento do contágio do novo coronavírus, através do achatamento do número de infectados e, consequentemente, impactar na diminuição do quantitativo de vítimas. Em meio a uma crise de Saúde mundial são muitos os exemplos que ficarão de humildade, solidariedade e ajuda mútua.

No entanto, uma das lições mais importantes que já podemos tirar de todo este cenário de sobrecarga do sistema público de Saúde no Brasil e em várias partes do mundo é a necessidade de estabelecermos um parâmetro na condução de debates com objetivo de alcance coletivo. É preciso valorizar as políticas públicas de larga abrangência, capazes de atender ao maior número de pessoas, seja em qualquer área de atuação.

Agora, com o foco na Saúde, o Brasil descobre a importância fundamental do Sistema Único de Saúde que precisa – mais do que nunca – ser valorizado e fortalecido. Caem por terra teses que ensaiavam ser aplicadas como sistemas de voucher, os debates privatistas e até mesmo um chavão bastante usado ultimamente: o chamado “Estado Mínimo”.

Porque se tem um diferencial em tudo que o Brasil está conseguindo fazer para atender as vítimas da Covid-19 é a presença estatal na política pública de Saúde, oferecendo um serviço universal e gratuito a toda a população, independentemente de fatores sociais, econômicos e regionais.

Precisamos estar preparados e a melhor forma disto ocorrer é fortalecendo a participação do Estado em setores estratégicos, assim como rege a Constituição Cidadão de 1988. Se hoje, o Brasil apresenta sinais de dificuldade no SUS a ponto de o ministro Luiz Henrique Mandetta anunciar um colapso para daqui um mês, o que imaginar caso este mesmo sistema estivesse com ainda menos investimentos, nas mãos da iniciativa privada ou selecionando atendimentos numa triagem como fazem as OSs, estabelecendo um teto de atendimentos/dia?

É o momento de rever ações nefastas à coletividade e a grande parte da população como a PEC do teto dos gastos que, em nome da economia e seus números, impacta negativamente no acesso de milhões de brasileiros e brasileiras à Saúde e Educação. Somente com união e pensamento coletivo poderemos prosperar. Como ensina o tema da Campanha da Fraternidade 2020: “viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. É a hora de nós, da forma como podemos, ajudarmos uns aos outros.

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