Marcha pelo fortalecimento do Brasil (O Popular – 18/08/2015)

Além das manifestações contrárias ao governo, concentradas no domingo, nos últimos dias acontecimentos importantes demonstraram a força, cada vez maior, da democracia brasileira. Tivemos, também em busca da emersão do Brasil, mas através de um respeito irrestrito às regras da democracia, a Marcha das Margaridas que reuniu cerca de 70 mil mulheres do campo e da cidade, a participação de importantes e históricos movimentos sociais no debate político, e, dentre outros, o posicionamento de entidades do comércio e da indústria, condenando o prolongamento da crise política. No legislativo o ambiente está melhorando, no judiciário a decisão tomada na última quinta-feira pelo Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu maior equilíbrio no julgamento das contas presidenciais, que terão que ser julgadas em sessão conjunta do Congresso Nacional, fazendo valer a Constituição.

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Apesar de parte dos movimentos populares e de alguns líderes de partidos oposicionistas, ainda optarem pela agenda do impeachment, a maioria do povo brasileiro entende que é preciso olhar para frente, por fim a crise política para não agravar as dificuldades econômicas. Cabe-nos agora, como foi proposto no Editorial deste jornal, na última sexta-feira, convergir os interesses com “foco no Brasil”. A já denominada Agenda Brasil, é um caminho. Embora ainda necessite, de maneira indispensável, passar pelo crivo da sociedade. Afinal, não se pode construir essa passagem para o país isolando as pautas sociais. A construção deve ser feita além dos gabinetes!

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Reforçando a tese de que o ambiente nacional vai sim melhorar, além dos projetos recém-anunciados, como o plano de investimento em logística e os de investimentos no campo, um novo plano reforça ainda mais o caminho para a saída da crise: O Plano de Investimentos em Energia Elétrica (PIEE). Com investimento de R$ 186 bilhões previstos até 2018, o plano contempla não apenas obras de geração (R$ 116 bilhões) como também de transmissão de energia (R$ 70 bilhões), gerando empregos, renda, atraindo investidores e garantindo segurança energética em um cenário de dificuldades climáticas. O perfil das fontes de energia prioritárias também aponta para a redução de peso das hidroelétricas (11 mil MW) compensado pelo aumento da importância da energia solar (de 3,5 mil a 4,5 mil MW) e eólica (de 4 mil a 6 mil MW). Deixando para as usinas térmicas, mais poluidoras e mais caras, apenas uma fatia de geração de energia, entre 3 mil e 5 mil MW.

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Todo esse conjunto de ações que já estão sendo executadas e todas essas demonstrações de que é preciso acreditar na retomada do nosso crescimento, seja do governo, sejam de grande parte dos movimentos sociais, entidades empresariais, do poder judiciário e também de boa parte do legislativo, colocam a oposição que ainda teima em atacar a qualquer custo o governo, buscando aprovar todo tipo de desvario fiscal, tributário e administrativo, cada vez mais isolada. Melhor para a nossa democracia, melhor para a imagem do Brasil no exterior!

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Precisamos continuar sendo visto como um país seguro, que respeita a soberania popular. Bem como, internamente, um país em que os governos eleitos dentro da legalidade, estejam sempre com sua soberania assegurada. Democracia é bom porque tem regras claras, respeitá-las e continuar acreditando no Brasil deve ser o nosso próximo passo!

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Antônio Gomide é ex-prefeito de Anápolis

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