Os lixões nas cidades e o Estado (O Popular)

Uma pergunta no último vestibular da Fuvest teve como alternativa correta de resposta a seguinte afirmação: “A crise de água na Grande São Paulo é de natureza ‘ecológica’ e ‘política’.” Justifica-se, porque apesar da reposição de água nos reservatórios depender de fatores naturais, o setor público não pode se eximir do cumprimento e da realização de um bom planejamento para o uso e preservação dos recursos.

 

No que tange à problemática do lixo não é diferente. Os Estados precisam agir antes e não depois. Aqui, o governo de Goiás, erroneamente, lava suas mãos e deixa que somente os dos municípios resolvam a questão. Além da parceria do governo federal, as cidades precisam contar com a participação do Poder Executivo estadual, para que seja interrompido o alastramento dos lixões.

 

Hoje, apesar de mais da metade dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil já terem como destino os aterros sanitários, menos da metade dos municípios, 2,2 mil de um total de 5.564, têm destinação adequada de resíduos sólidos, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Não se trata de nenhum paradoxo. Trata-se de uma dificuldade comum aos gestores (prefeitos e prefeitas) que administram a maioria das cidades brasileiras, sobretudo, as pequenas, em viabilizar seus planos de gestão de lixo. Seja pela falta de capacitação técnica, seja por falta de recursos financeiros.

 

As verbas destinadas pelo governo federal para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil, que tem como meta erradicar os lixões no País, incentivar a coleta seletiva, a reciclagem e outras ações importantes ao meio ambiente, precisam ser somadas ao apoio financeiro ou, minimamente, técnico do Estado.

 

Durante o exercício da atividade política, pude perceber que todo esse processo necessário para viabilizar a coleta seletiva, a reciclagem, a construção do aterro sanitário e, principalmente, a operacionalização e manutenção do sistema de gestão dos resíduos sólidos nas cidades goianas, é uma conta que os gestores públicos municipais não conseguem pagar sozinhos – nem devem. Essa é uma conta que necessita ser paga por todos os governos, municipal, estadual e federal, como investimento em qualidade de vida das pessoas.

 

A produção de lixo, devido ao aumento significativo do consumo, da industrialização e da própria população, ano a ano, indubitavelmente aumentará. De modo que urge serem encaradas tais questões ambientais em Goiás. Boa parte da nossa população – crianças, jovens, homens e mulheres, pelo interior –, ainda convive com os lixões.

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