Política com novo conceito (Artigo Jornal Opopular)

A verdadeira reforma política ocorrerá se o seu resultado for capaz de resgatar o debate, tornar perceptível qual o ideal dos partidos no processo eleitoral e, principalmente, conseguir trazer uma nova concepção de política entre os brasileiros.

 

Quanto maior for o campo de diálogo durante sua construção, mais democrática será sua consequência à população. Mas apesar dessa lógica, aumenta a perspectiva de ser concretizada a proposta de referendo, que caminha favorita para ser o meio que tentará possibilitar ao Brasil um sistema eleitoral mais justo. Em que grau? Não se sabe. Indubitavelmente, sabe-se que limitar o debate em gabinetes em detrimento da realização de um plebiscito pode ocasionar uma transformação rasa demais.

 

Mas o futuro ainda ao povo pertence. Basta acreditar. Em um país de duzentos milhões de habitantes, a exemplo de outrora, haverão – como saída restante – de se unir 1,5 milhão de brasileiros! Esse é o número necessário de assinaturas para a apresentação de projeto de lei de iniciativa popular de reforma política. Um horizonte que, se alcançado, possibilitará eleições mais justas, com menos influência do poder econômico e, consequentemente, mandatários menos corporativistas – daí a importância para que, antes da realização de um referendo, tentemos, juntamente com os movimentos existentes, emplacar uma reforma que se dê pelo sentimento popular e não meramente parlamentar.

 

Enquanto vai se estabelecendo a forma, vamos continuar levantando o debate. Quanto a isso, não é interessante tratar de “reeleição” antes de “eleição”. Por ora, a proibição de doações por empresas nas campanhas, o financiamento público exclusivo ou somado ao financiamento limitado de pessoa física e estratégias para o fortalecimento dos partidos devem ser o foco da discussão. Semelhante ao desejo de centenas de entidades sociais organizadas convergidas nesta pauta.

 

Ademais, a prioridade da reforma política, sendo ela a mãe das outras, além de tornar mais acessível a entrada de quem não conta com estrutura financeira privilegiada nos espaços de poder, é a de dar à luz as demais reformas – que, apesar de se chocarem há décadas, continuam embrionárias, a exemplo da reforma tributária.

 

Vingar uma reforma política verdadeira agora, a partir das próximas eleições, com as portas abertas para uma composição parlamentar mais representativa, é, certamente garantir resolutividade às demandas sociais pulsantes nesse país. Considerando, claro, se o Congresso recém-eleito, não garantir já na próxima legislatura. O fato é que depois de passar por um processo de redemocratização, como o que o Brasil passou, não se pode mais conservar e adiar a adequação desse nosso antigo sistema político eleitoral.

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