Por alianças municipais, PMDB e PT mantém diálogo em Goiás

gomide-anapolisPor haver um adversário em comum, o PSDB, e por interesses municipalistas semelhantes, PT e PMDB devem manter a aliança PMDB e PT ainda viva em Goiás, apesar de a relação ter sido severamente afetada na esfera federal com apoio de lideranças locais no processo de impeachment de Dilma. Representantes das duas legendas afastam a possibilidade das conversas ou alianças serem extintas onde já existe um histórico de sucesso. O segundo e o terceiro maior colégio eleitoral do estado, Aparecida de Goiânia e Anápolis, são duas cidades que retratam bem como está sendo conduzida a relação entre peemedebistas e petistas.

 

Em Anápolis, o PT deve ter o prefeito João Gomes como candidato à reeleição. Em 2012, o PMDB esteve na coligação na qual o petista foi vice de Antônio Gomide (também PT), reeleito com 88,9% dos votos válidos. Nesse ano, os peemedebistas têm como pré-candidato o vereador Eli Rosa e integram – não oficialmente – o ‘blocão’, formado por DEM, PTB, PSC e PROS.

 

Para o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, as questões envolvendo as alianças das duas legendas possuem características peculiares tanto para a aproximação quanto ao distanciamento. “As eleições municipais são processos muito particulares, com ambiente próprio e realidades exclusivas. É natural que neste momento, no Estado de Goiás, as duas legendas conversem em todos os municípios, respeitando a resolução nacional do PT”, explica

 

Gomide

 

Considerado um dos nomes mais populares da legenda em Goiás por conta da sua passagem pela gestão anapolina, Gomide, por outro lado, repreende a postura do PMDB em sua aproximação política com o DEM. Com um histórico político e um conteúdo ideológico completamente opostos, esta união momentânea causa “estranhamento” para o petista.

 

“É estranho para o PT a forma como o PMDB tem conduzido as negociações no Estado, se aproximando ao DEM e, em especial, do senador Ronaldo Caiado. Isto, no momento, não contribui para a aproximação de PT e PMDB nestas eleições locais mas também em negociações futuras”, avisa. Para Antônio Gomide, “basta refletir sobre a participação dos nomes envolvidos, seus históricos e seu legado para a História de Goiás que veremos que não faz sentido esta união”.

 

Para o petista, a nova direção segue uma tendência preocupante com a aproximação do PMDB com Ronaldo Caiado. Se, antes, a aproximação de dois antagonistas ideológicos era uma iniciativa exclusiva do ex-governador Iris Rezende, agora, passa a dar indícios de uma aliança que também pertence à nova geração. “O DEM e Ronaldo Caiado estão engolindo o PMDB e seu presidente,Daniel Vilela”, sentencia.

 

De fato, o protagonismo assumido pelo DEM em Anápolis, onde tem um pré-candidato, relega o PMDB a um plano inferior. Como partido, a legenda peemedebista é infinitas vezes maior e mais representativa que o grupo democrata.

 

Reportagem divulgada na Tribuna de Anápolis – 21/05/2016

VOLTAR