Potencializar a vocação de Goiás (O Popular – 12/12/2015)

antonio-gomideDe dependente do mercado internacional na importação de alimentos há 40 anos, o Brasil já é o segundo exportador de alimentos do mundo e será, segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o principal exportador na próxima década. Até 2050, quando a previsão é de que a população da Terra salte para 9 bilhões de pessoas, além do desafio mundial de conseguir tornar a distribuição de alimentos mais justa, a produção agrícola do planeta terá de crescer no mínimo 20%. Deste porcentual calcula-se que o Brasil contribuirá com 40%. Para se ter uma ideia da nossa importância, especificamente no caso da carne bovina, também segundo estimativa da FAO, já em 2022, 80% da produção virá de países em desenvolvimento, sendo o Brasil o maior produtor.

 

Os fatores que nos colocam cada vez mais como o “celeiro” do mundo são muitos. A começar pelo clima. Continentes como a África, por exemplo, que poderiam protagonizar a produção de alimentos, devido a sua extensão, possuem imensas áreas desérticas e semiáridas, além de uma altíssima necessidade financeira de investimentos. Outras áreas, como a Rússia e países do Leste Europeu, que também poderiam ser utilizadas para a expansão da fronteira agrícola, as limitações são semelhantes. No Canadá, apesar da quantidade de terras e da boa infraestrutura de suporte à produção, o clima é um entrave. EUA e Austrália, idem. O primeiro está cada vez mais exposto a todos os perigosos riscos do clima, o segundo convive com grandes períodos de estiagem. Somado ao fator natural, nos fortalece o uso da tecnologia! O Brasil não só passou a cada vez mais incorporá-la nas últimas quatro décadas como também a desenvolvê-la. Apostamos no conhecimento! Graças a essa estratégia de se apostar nas universidades e em órgãos nacionais como a Embrapa nos tornamos referência no planeta tanto em tecnologia quanto em inovação no campo.

 

Nos falta agora desburocratizar o acesso ao crédito do pequeno ao grande produtor, ampliar as áreas de produção – sem necessitar da ocupação de reflorestamentos, tampouco de desmatar áreas de preservação ambiental, dado que utilizamos apenas a metade da nossa área agricultável -, levar a tecnologia a todos os agricultores (capacitação), bem como difundir a irrigação. Está última meta talvez seja uma de nossas melhores estratégias de crescimento e produção. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Valor Bruto da Produção (VBP) poderia crescer 426% se todas as áreas destinadas à agricultura e à pecuária fossem irrigadas no Brasil. Igualmente, segundo dados do Ministério da Integração Nacional, existem aproximadamente 30 milhões de hectares de solos aptos para extensão e desenvolvimento da agricultura irrigada. No Centro-Oeste, são 4,9 milhões de hectares disponíveis. Entretanto, atualmente, apenas cerca de 5,5 milhões de hectares são irrigados no território nacional. Em Goiás, são cerca de 270 mil. Dependendo da cultura, a produtividade da agricultura irrigada brasileira chega a ser três vezes maior que a obtida com a agricultura tradicional, e economicamente o ganho pode ser até sete vezes mais.

 

O Brasil vai se tornar em breve o maior produtor de grãos. E Goiás é um dos Estados com maior vocação rural do nosso País, tem tudo para ser vanguarda nesse processo! Valorizar o agronegócio e a agricultura familiar com uma Secretaria Estadual de Agricultura forte é uma questão estratégica para que o Estado cumpra seu papel e seja importante indutor de tecnologia, inovação e capacitação nesse desafio de ajudar o Brasil a alimentar o mundo. Goiás precisa de atitude para potencializar sua vocação.

 

 

 

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