Realidade x Campanha

Com a vitória em 1º turno, Ronaldo Caiado teve tempo para planejar suas primeiras ações, assim como teve mais espaço na agenda para escolher os técnicos para lhe auxiliar em seu governo.

No entanto, os entraves surgidos até agora têm origem interna e vem justamente de seu próprio secretariado. A falta de sintonia dos auxiliares com o chefe do Executivo faz o governador perder tempo, desviar o foco e ter de corrigir declarações de titulares em pastas estratégicas.

A ausência de convívio com a realidade goiana, pelo fato de não terem participado da campanha de Caiado – que optou por escolher eminentemente nomes de fora – é preponderante para gerar este tipo de dificuldade.

Em ao menos três situações, o governador assistiu seus técnicos indo na direção contrária de suas ideias, muitas reveladas em campanha. Titular da Economia, Cristiane Schmidt afirmou que, se dependesse dela, a Saneago seria privatizada imediatamente. Um dos motes de Caiado foi dizer, no entanto, que Goiás precisava ser “desprivatizado”. Ele mesmo foi contrário à venda da Celg. Agora, teve de desdizer a auxiliar afirmando que a Saneago, por enquanto, está fora do radar das privatizações.

Após prometer a empresários da Adial que os incentivos fiscais não sofreriam revisão, antes mesmo de tomar posse, o governador trocou de certeza. Alegando recomendação técnica, foi convencido a retirar incentivos, quebrando seu compromisso feito semanas antes, na campanha.

A ingerência dos novos auxiliares fez o Caiado governador desdizer o Caiado candidato.

Na Educação, o desgaste pelo fechamento de 47 unidades escolares em tempo integral (Capa de O Popular, 23/01) bate de frente com uma de suas poucas metas definidas em números: ampliar em 50% as unidades escolares de tempo integral. A decisão prejudica 38 cidades.

Enquanto falas como “não adianta fazer greve” afrontam servidores que sequer receberam em dezembro, Ronaldo Caiado tem de desviar sua rota e usar traquejo político para apaziguar ânimos e dirimir tensões. Perde tempo e prestígio junto aos servidores.

Os desafios se acumulam e os goianos esperam. Qual caminho Goiás adotará afinal: o apresentado em campanha ou a realidade apresentada pelos secretários do Governo?