UEG sob ataque

A agenda política de 2019 teve vários momentos marcantes. De um lado, recorrentes tentativas por parte do Governo de Goiás de promover retrocessos em conquistas sociais importantes do povo goiano, como a diminuição do passe livre estudantil, o fechamento de escolas, a perseguição aos servidores e a suspensão de acordos vigentes em incentivos fiscais, causando impacto na geração de empregos e na Economia do Estado.

No entanto, nenhuma agenda tem sido tão agressiva quanto a tentativa deliberada de promover um desmonte na Universidade Estadual de Goiás. No ano em que comemora 20 anos de atuação, a UEG sofre com corte em investimentos, o anúncio de mudança de finalidade de unidades, fim de cursos, e ainda, a demissão de servidores temporários sem a convocação de aprovados em concursos. A UEG em alguns campi simplesmente parou de funcionar.

Agora, mais um duro golpe contra o ensino superior público e gratuito: a suspensão da lei que garante à UEG o repasse de 2% do Orçamento de Goiás. Esta pode ser a pá de cal para o sepultamento de uma das maiores conquistas de Goiás na busca por inclusão social, universalização da Educação e geração de oportunidades de transformação na vida das pessoas.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Assembleia Legislativa. Sem a previsão do orçamento, a UEG fica à deriva, sem saber quanto poderá contar para realizar investimentos, manutenção de suas unidades e até mesmo para a garantia do mínimo para o funcionamento de seus campi.

A UEG em suas 40 unidades é a oportunidade para milhares de jovens de baixa renda terem acesso a um curso superior. Esta construção é uma conquista de Goiás que não pode sofrer retrocesso. Ao diminuir a finalidade dos campi, fica clara a insensibilidade do Governo de Goiás com a comunidade mais pobre, impedindo que sonhos sejam realizados, que os filhos dos trabalhadores tenham mais e melhores oportunidades. É preciso investir em conhecimento, investir na juventude e o que se vê é o contrário.

A UEG é um polo de desenvolvimento educacional, mas também econômico e cultural nas regiões em que estão inseridas suas unidades. Trata-se de uma indutora de conhecimento, mas também se desdobra em outras referências importantes para diversos municípios, corrigindo desigualdades e promovendo oportunidades. E isto não pode ser perdido.

Sem a resistência da sociedade organizada, dos professores, alunos e dos líderes políticos das cidades que possuem unidades da UEG, Goiás assistirá um dos mais lamentáveis retrocessos de sua história. Para combater esta realidade e evitar este cenário, percorremos o Estado de Goiás ao longo deste ano com a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas. Realizamos audiências, incentivamos a criação de comitês municipais envolvendo câmaras municipais, prefeitos e diretores das unidades.

Nós também provocamos o Poder Judiciário em uma ação contrária a estes cortes para que não se cometa tamanha injustiça com a população de Goiás.

Tudo para que a população tenha ciência do risco que corre o presente e, sobretudo, o futuro da Educação Pública em Goiás. A UEG está sob ataque e nós não podemos ficar adormecidos diante disto. A sociedade precisa reagir, lutar e impedir que a nossa universidade se torne uma escola de ensino médio em Goiás, fazendo do Ensino Superior Público um capitulo do passado na nossa História.

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