UEG: Um debate estratégico (O Popular – 02/07/2015)

“Goiás tem tudo para ser um dos protagonistas do crescimento do Brasil. Só é preciso pensar, discutir e se preparar com organização e inteligência. Entender as potencialidades, acertar os investimentos e olhar para frente escutando as lideranças.” Este foi o início, de teor inquestionável, da matéria veiculada neste jornal no dia 20 de junho, que repercutia o lançamento da segunda edição do projeto Agenda Goiás e esclarecia seu propósito. A ideia encabeçada pelo Grupo Jaime Câmara busca através da participação de representantes do setor produtivo, do governo, consultores especializados e moradores de todo o Estado um diagnóstico e propostas de ações a serem realizadas para o nosso crescimento social e econômico, até 2025. Sem dúvida, iniciativa que merece o apoio de todos nós!
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Colaborando nesta direção, o ministro-chefe da Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, na ocasião do lançamento desta Agenda, apontou alguns caminhos que em sua opinião precisam ser tomados rumo ao desenvolvimento. Dois deles me chamaram a atenção! O primeiro foi quando Unger disse “que uma nova estratégia deve ser baseada na ampliação da capacitação educacional”. O segundo, quando falou “que o desenvolvimento só toca o chão da realidade se traduzido em iniciativas para as regiões”.
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Especificamente em Goiás, se a nossa opção for por seguir, dentre outros, verdadeiramente esses dois caminhos, significa que temos de fortalecer a rota que até então não vínhamos seguindo como deveríamos! Isto porque, ainda não demos conta de combater nossa grande desigualdade regional. 65% do nosso PIB continua concentrado em 10 municípios: Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Catalão, Senador Canedo, Itumbiara, Jataí, Luziânia e São Simão. Além da região metropolitana, o desenvolvimento, por exemplo, da região Sudoeste é muito além do desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste.
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Se enfim combinarmos a ampliação da capacitação educacional a iniciativas para cada região, de forma planejada e participativa, como nos sugeriu o ministro, mais riquezas serão distribuídas para todos. Os instrumentos para isso são inúmeros. Destaco um, poderoso e indispensável: a Universidade Estadual de Goiás (UEG). Há 16 anos a Universidade Estadual de Goiás é um potencial instrumento de desenvolvimento econômico e social que ainda não foi utilizado e valorizado como deveria. A UEG tem todas as condições de se tornar uma grande indutora de conhecimento, de formação profissional e de criação de tecnologias. E mais, de se tornar um símbolo de Goiás para o Centro-Oeste brasileiro. Por isso, devemos incluí-la nessa construção coletiva proposta pelo projeto Agenda Goiás!
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Em qualquer debate sobre a UEG, seja com o corpo técnico-administrativo, com os docentes e até mesmo com os alunos de lá, a percepção é a mesma, a de que a instituição pode ir muito além. A situação da UEG é grave! De modo que não podemos falar de desenvolvimento em Goiás tendo a Universidade do Estado, principal fonte de pesquisa, extensão, domínio e cultivo do saber humano do jeito que está. É preciso acreditar. É preciso incluir a UEG como protagonista no processo de crescimento de Goiás!
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Neste sentido, com tantas vocações regionais como as que nós temos, se faz necessário antes de ofertar os cursos, identificar melhor o perfil acadêmico de cada região. Antes de abrir novas unidades, consolidar e levar estrutura digna aos campi já existentes. Essa atenção é primordial! Para nos desenvolvermos, sobretudo através da educação, como está sendo colocado na pauta do projeto Agenda Goiás, é preciso uma mudança de postura. A UEG deve estar inserida no planejamento, nas diretrizes e no orçamento estadual de forma efetiva.
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Esse não é um processo meramente político-administrativo, mas um plano de Estado estratégico e essencial para diminuirmos as desigualdades regionais em Goiás!

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Antônio Gomide é cirurgião-dentista, membro do Diretório Nacional do PT e foi, por duas vezes, prefeito de Anápolis

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