União pelo Rio Meia Ponte (O Popular)

A consciência ecológica que, aos poucos, desperta na sociedade, ainda não chegou como deveria ao Rio Meia Ponte. Infelizmente, o rio continua sendo tratado com ingratidão por onde passa. Em época de chuvas, por conta do seu maior volume de água, seu mau cheiro é atenuado, a grande quantidade de matéria orgânica poluente produzida, principalmente, na região metropolitana de Goiânia, que até hoje o tem como destino final, e todos os objetos que ali não deveriam estar, também, em parte, deixam de ser vistos. Neste período, o rio é esquecido… Na estiagem, sua vazão que chega a ser superada pelo volume constante de esgoto que flui para seu curso d’água, não nos deixa ignorá-lo. Um odor incômodo volta a colocá-lo em pauta – mais uma vez de forma negativa.

 

Essa visão ruim que temos do Rio Meia Ponte precisa mudar. É necessário olhá-lo com uma perspectiva positiva. Primeiro, porque o rio ajuda na sobrevivência de milhões de pessoas – vivem em sua bacia hidrográfica cerca de 50% da população goiana, bem como 100% da água consumida na capital têm diretamente o Rio Meia Ponte, ou seu afluente, o Ribeirão João Leite, como origem. Segundo, porque sua força é tamanha que, apesar de toda agressão que sofre, consegue em determinados trechos manter um aspecto saudável, o que, a exemplo de outras cidades no mundo, que trataram dos seus rios e, a partir daí, passaram a interagir com eles, nos faz manter acesa a esperança de tê-lo, um dia, convivendo de frente, e não de costas, para as dezenas de cidades que atravessa.

 

Essa utopia é realizável. É necessário, repito, que mudemos nossa maneira de enxergar o Meia Ponte. Devem ser criadas mais áreas (unidades) de conservação, bem como ser fortalecido o Comitê da Bacia. Não se pode continuar adiando ou preterindo por qualquer outra obra, a implantação da segunda etapa da ETE Goiânia, fundamental para combatermos o maior foco de poluição no rio.

 

Embora tenha sido uma evolução a construção, em 2004, da ETE Dr. Hélio Seixo de Britto, que sem dúvida nos deu fôlego para evitarmos uma situação calamitosa, de lá para cá, o tempo parou no que se refere à continuidade desta ação. À época, foi edificada a estrutura de tratamento físico-químico dos dejetos e montada parte da rede coletora de esgoto. Mas até hoje não se concluiu sua segunda etapa, fundamental para, de fato, avistarmos um horizonte saudável para o Rio Meia Ponte. Refiro-me, ao sistema de interceptores que levam os dejetos até a ETE e a estrutura para tratamento biológico da matéria orgânica, sem a qual a situação do rio tende piorar, devido ao aumento constante do esgoto produzido.

 

Um maior elo entre as cidades, governo estadual e governo federal, através dos Ministérios do Meio Ambiente e das Cidades, que vise estabelecer parcerias e projetos é um caminho que deve ser mais explorado.

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