O deputado estadual Antônio Gomide (PT) alertou para a previsão de cortes em investimentos na educação e na saúde durante debate sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA), nesta quarta-feira, 28, na Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Ao discutir o planejamento financeiro do Estado, o parlamentar questionou a diferença entre os valores apresentados no orçamento e os recursos efetivamente destinados aos serviços públicos. Para Gomide, é necessário garantir mais transparência e aproximar o planejamento orçamentário das necessidades da população.
“O orçamento não pode ser uma peça de ficção. O orçamento precisa ser algo real”, afirmou o deputado. Como exemplo, Gomide citou a previsão de recursos para a Universidade Estadual de Goiás (UEG), apontando a redução de investimentos, bolsas estudantis e recursos destinados à titulação. Segundo ele, embora os valores nominais apresentados indiquem aumento, a análise das planilhas revela diminuição de recursos em áreas importantes para o funcionamento da instituição. O parlamentar também lembrou que a retirada da previsão constitucional de 2% da receita estadual para a universidade comprometeu o volume de investimentos. De acordo com Gomide, caso o percentual fosse mantido, a UEG teria hoje mais de R$ 1,2 bilhão em recursos, enquanto o montante aplicado nos últimos quatro anos teria ficado abaixo de R$ 600 milhões.
Na saúde, o deputado apontou outra preocupação com a distribuição dos recursos previstos para 2027. Segundo ele, o orçamento indica aumento dos valores destinados às organizações sociais (OSs) que administram unidades de saúde, ao mesmo tempo que prevê reduções em áreas como atenção básica e assistência de média e alta complexidade. Gomide também destacou que, em 2026, a área da saúde precisou de mais de R$ 1,1 bilhão em créditos suplementares para atender às demandas. Para o parlamentar, a previsão de um orçamento para 2027 com valores nominais próximos aos executados em 2026 pode comprometer a prestação dos serviços, considerando o crescimento natural das despesas do setor.
O deputado afirmou que as discussões devem contribuir para que o planejamento financeiro reflita as necessidades reais da população e evite a abertura recorrente de créditos suplementares ao longo do exercício. “Essa é a capacidade nossa, da lei orçamentária, de poder entender que essa lei é extremamente importante e que o lugar da gente discutir e dar transparência nela é aqui”, concluiu.









